Cinco curiosidades sobre o Grito do Ipiranga

22 de julho de 2016

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas! O Bairro do Grito tem história de sobra, mas muitas delas sequer são verdadeiras — ou pelo menos não são do jeito que a gente sempre ouviu. A partir do livro “1822”, de Laurentino Gomes (Editora Nova Fronteira), separamos alguns mitos e desmitificações sobre a proclamação da Independência do Brasil por Dom Pedro I à beira do riacho que dá nome a um dos bairros mais queridos de São Paulo.

Quer saber que histórias são essas? Veja só…

 

Foi tudo igualzinho ao quadro famoso?
A pintura de Pedro Américo só foi concluída em Florença, na Itália, 4 anos depois da Independência. E na verdade, Dom Pedro I montava um burro mais resistente e bem menos glamouroso que esse cavalo lindo da imagem, estava vestido como um tropeiro e não em uniforme militar e sequer estava cercado pela cavalaria dos Dragões da Independência, que obviamente ainda nem existia.

 

Por que o Ipiranga?
O coronel Marcondes, futuro Barão de Pindamonhangaba, registrou em suas memórias que D. Pedro estava com dor de barriga devido a algum alimento estragado que havia comido no litoral paulista, já que chegou ao Ipiranga após subir a Serra do Mar. O príncipe regente parou perto do riacho por motivos menos nobres, mas acabou dando o famoso grito ali mesmo.

 

Mas e o quadro afinal?
Pra piorar, existe a  suspeita de que o quadro de Pedro Américo seja um plágio de “Napoleão em Friedland”, do pintor francês Jean Louis Messonier e exposta atualmente no Metropolitan Museum de Nova York. As pinturas são quase iguais, mas a brasileira é mais nova. Pois é.

 

Tocou o Hino da Independência depois do Grito?
Claro que não! O hino foi composto por Dom Pedro, só que bem depois, usando o poema “Brava Gente”, de Evaristo da Veiga, como letra. Não houve nenhum clima épico ou grandes celebrações. A música executada naquela noite foi o Hino Constitucional Português, de Marcos Antônio Portugal, amigo e professor do príncipe regente.

 

O grito foi ouvido em Lisboa imediatamente?
Nem adianta fazer as contas pela velocidade do som. Viajar do Brasil a Portugal demorava 2 meses de navio, o que significa que Dom João VI só ficou sabendo do Grito do Ipiranga dois meses depois, quando os mensageiros chegaram lá,. Lá do Tejo, ele reagiu imediatamente e mandou para cá as tropas portuguesas que travaram uma verdadeira guerra no Brasil até 1823. A independência só foi reconhecida por Portugal em 1825, mediante uma indenização de 2 milhões de Libras que Dom Pedro I negociou para evitar mais guerras. Mais de 5 mil pessoas morreram em todos os conflitos da independência, de acordo com Laurentino.

 

E você sabia de todas essas curiosidades sobre o Grito do Ipiranga?