FLORESTAS DE BOLSO SÃO NOVA VARANDA GOURMET

9 de julho de 2019

Construtoras investem em bosques e varandas arborizadas para atender anseio do comprador por mais bem-estar
Valéria França
Morar em uma área cheia de serviços sem abrir mão do contato com o verde é um desejo dos paulistanos que têm ditado o projeto arquitetônico de novos empreendimentos na cidade. Há uma leva de lançamentos que deixam até 3o% do tenro° para árvores e jardins.
A vegetação ocupa desde terraço até corredores de acesso ou empena cega do edifício, em forma de jardins verticais. Condomínios com maior área de terreno oferecem até grandes bosques e áreas de preservação, batizadas de “pocket forest” (floresta de bolso, em inglês).
“Estamos pensando sempre na área verde”, diz Andrea Possi, diretora de incorporação da MAC. Especializada em condomínios de alto padrão, a construtora lançará em agosto o Raiz São Paulo Parque Resort, no Alto da Boa Vista.
O projeto levou três anos para sair do papel em meio a discussões internas. De um lado, havia quem defendesse manter os 18 mil metros quadrados de área verde, um terço da metragem do terreno. Do outro, quem queria derrubar as 220 árvores de espécies como pau-brasil, figueira e pitangueira, para ampliar a área construída.
“A MAC decidiu preservá-las, afinal são árvores sexagenárias”, conta Possi.
Outra construtora, a Gamara, lançou no ano passado o Parque, no Brooklin. O projeto com seis torres de apartamentos entre 79 e 410 metros quadrados ocupa uma área de 38.25o metros quadrados que já foi parte da Chácara Farias nos anos 1940.
O terreno inclui um bosque de 12 mil metros quadrados, que será preservado e aberto ao público. A ideia é resgatar no local espécies nativas da mata atlântica”, afirma Vinicius Deleo Amato, diretor de incorporações da Gamam. As árvores ajudarão ainda a compensar a umidade excessiva do terreno, que fica na várzea do rio Pinheiros, e facilitarão a manutenção do espaço. Já as varandas dos apartamentos receberão um jardim suspenso, com palmito-juçara e frutíferas, diz Amato.

A inspiração para o Parque veio do projeto italiano Bosco Verticale (floresta vertical), lançado em 2004 em Milão. Tido como referência em reflorestamento urbano, ele é composto por duas torres, de 76 e 11 metros, que abrigam 8oo árvores e 11 mil plantas menores espalhadas ao longo de suas fachadas.
Para desenvolver o empreendimento no Brooklin, foram necessários cinco anos e a ajuda de agrônomos para calcular, por exemplo, o impacto de colocar um jardim com árvores nas varandas e o tipo de impermeabilização necessário.
A companhia passou a adotar as varandas verdes também em outros lançamentos, como o Seed Vila Olímpia, entregue em fevereiro. Além de árvores e arbustos, o espaço possui vegetação pendente. Aos poucos, ela cresce e esconde a divisão entre os andares, dando a impressão de uma parede totalmente verde. Incluir o jardim privado para seus moradores encareceu a obra em R$ 300 por metro quadrado, diz Amato.
Mas os benefícios vão além da estética, defende o executivo. “É uma questão também de saúde. As plantas das sacadas funcionam como produtores de oxigénio e filtram a poluição da rua.”
As vantagens, principalmente para a construtora, incluem também a valorização da região.
“Em São Paulo, o fato de um imóvel estar perto de um parque influencia diretamente no preço do metro quadrado”, afirma Sergio Catelani, economista-chefe do portal imobiliário Grupo Zap. “A cada 100 metros que o imóvel se afasta da área verde, o valor cai entre 2% e 3%”, calcula.