Você conhece as canções-símbolo de São Paulo?

15 de abril de 2016

Do “Lampião de Gás” cantado por Inezita Barroso nos anos 1940 até a afirmação de que “Não existe amor em SP” pelo rapper Criolo, nos anos 2010, são várias as músicas que retratam São Paulo em suas várias faces e épocas. Vamos relembrar algumas? A gente promete até contar a historinha de bastidores por trás dela.

 

Moro em Jaçanã
Vencedora do concurso de marchinhas de carnaval do Rio de Janeiro em 1964 durante o IV Centenário da cidade, “Trem das Onze” foi composta por um ilustre morador do Bexiga, Adoniran Barbosa, que só conheceu o Jaçanã por participar de filmagens nos estúdios da hoje extinta Companhia Maristela de Cinema, então localizada neste bairro da zona norte. Imortalizada em gravações dos Demônios da Garoa, a canção que fala de um homem que não pode ficar mais nem um minuto com a amada porque precisa pegar o último trem pra a casa onde a mãe o espera já foi escolhida como o símbolo de São Paulo em diversas votações populares. A Estrada de Ferro da Cantareira, que seguia do centro da capital até Guarulhos, existiu até 1966.  No local, existe hoje o Museu do Jaçanã.

 

Sampa
Egressos da Bahia, Caetano Veloso e Gilberto Gil apelidaram São Paulo de Sampa nos anos 1960 durante seus  encontros no Bar Brahma, que até hoje ocupa a esquina da Avenida Ipiranga e a Avenida São João. “Sampa” surgiu do convite de um programa sobre São Paulo, realizado pela TV Bandeirantes, para o qual o produtor pediu um depoimento de Caetano. Ele respondeu em forma de música. Trata-se de uma canção ao mesmo tempo poética e dura, que narra certa estranheza diante das constantes mudanças, ao ritmo, às misturas e às pessoas. Letra e música homenageiam ícones paulistanos da época como a poesia concreta dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, Rita Lee, os Mutantes, Paulo Vanzolini e a obra “PanAmérica”, do escritor José Agrippino de Paula, um marco da Tropicália que o próprio Caetano ajudaria a criar.

 

Rondando a cidade
“De noite eu rondo a cidade a te procurar sem encontrar”. O saudoso compositor Paulo Vanzolini considerava “Ronda”, sua criação mais famosa, um tanto piegas e dizia que ela nada tinha a ver com um tributo a São Paulo, mas sobre as noites de uma mulher que vagava à procura do namorado com o intuito de matá-lo. Escrita em 1945, só foi gravada pela primeira vez em 1953, por Inezita Barroso. Reza a lenda que a gravação aconteceu no Rio de Janeiro, onde a fama paulista de “túmulo do samba” foi desafiada, com sucesso, pela interpretação da música. Mas o estrelato da canção só chegou na década de 1960, com uma famosa gravação da cantora Marcia. Uma outra curiosidade, é que Vanzolini só compunha nas horas vagas e era Doutor em Zoologia pela Universidade de Harvard, chegando a presidir o Instituto de Zoologia da USP por 30 anos.

 

São São Paulo
Residente no bairro de Perdizes, o baiano Tom Zé compôs 18 músicas sobre São Paulo. A mais famosa é “São, São Paulo”, cujo refrão rima amor com dor e fala das dores e delícias de viver aqui. “”Em Brasília é veraneio / No Rio é banho de mar / O país todo de férias / E aqui é só trabalhar / Porém com todo defeito / Te carrego no meu peito”, diz a letra. Também expoente da Tropicália, a marchinha venceu o IV Festival de MPB da TV Record, maior evento musical da cidade. Enquanto Tom Zé interpretava a canção, o grupo que o acompanhava fazia uma performance gestual usando fantasias que lembravam alguns dos tipos mais relacionados à São Paulo da época: a melindrosa, o almofadinha, o caipira e o bandeirante, numa atmosfera que remetia a um dos marcos culturais da cidade, a Semana de Arte Moderna de 1922.

São Paulo é assim despertar amor e ódio, mas é muito difícil encontrar um paulistano que não tenha no mínimo uma paixão pela cidade.